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Sombras do Passado

18.00€

Autor: Domingos Fernandes de Barros Neto
Formato: 150×230
Nº Págs: 192
ISBN: 978-989-8153-52-4
Disponibilidade: Envio em 24 horas

Sinopse:
Nos difíceis anos das lutas de resistência libertadora do povo angolano, anónimas heroínas, FILHAS DE ANGOLA, viveram momentos verdadeiramente difíceis e pagaram, muitas vezes com o próprio sangue e de modo indelével, o status hominis angolensis.

Ka Ndimba é uma dessas mulheres. Honrada e corajosa, lutou com todas as suas forças pelo direito à dignidade contra a perversidade de um responsável colonial que transformou uma história de amor e o casamento entre dois angolanos num caso político com a conivência ativa da PIDE.

“A notícia do casamento correu célere; ultrapassou a fronteira e chegou viva na Vila. O administrador, informado sobre o acontecimento, pensou que tal união seria perigosa para os interesses do seu país. Salvador era «turra» e se ainda se encontrava livre como passarinho era só para lhe dar o tempo estritamente necessário para ser apanhado com a boca na botija. A prisão constituía para ele sentido obrigatório. Ela, pois, corria o risco de se tornar um elemento altamente perigoso se se deixasse influenciar pelas ideias subversivas do marido. Mas foi chefe Costinha quem mais murros deu sobre a mesa, afirmando que estavam a ser brandos demais e que, por isso, talvez só mais tarde pagariam caro semelhante atitude. O seu parecer firme – disse – sempre foi o de aprisionar imediatamente qualquer elemento suspeito. No caso do negro Salvador – referiu – as informações sempre foram bem claras: espião, semeador de ideias subversivas em círculos bem identificados, elo de ligação com os elementos das matas.

(…)

O administrador tremeu perante o depoimento do chefe Costa. Ele conhecia muito bem que tipo de pessoa era esse seu subalterno: homem sanguinário e extremamente ambicioso, seria capaz de tudo para enterrá-lo, com o objectivo de usurpar-lhe o poder administrativo. As coisas postas assim na reunião do «Conselho Administrativo» podiam mudar de figura se ele fizesse uma circunstancia da informação confidencial à Direcção Provincial da PIDE; Zagaló seria considerado traidor e, portanto, demitido das suas funções e, com um pouco de azar, preso ou então reenviado para Portugal, onde acabaria penando na miséria, num ângulo qualquer, perdido entre as friorentas montanhas nortenhas.

(…) A sanzala foi passada a pente fino e, quando a «operação limpeza» terminou já os ponteiros dos relógios ultrapassavam as doze horas. Salvador, porém, não foi encontrado; somente Ka Ndimba, estendida sobre a caminha de paus; de Salvador nem ela própria sabia.

Chefe Costa e seus capangas não se deram por convencidos; em tom vigoroso, afirmaram que se o calcinhas Salvador não se apresentasse no local, à hora indicada, ela seria severamente castigada para dizer a verdade; que, por enquanto, não levava nenhum tabefe porque o bom do administrador recomendara, com antecedência, poupá-la dos maus tratos já que, na qualidade de pessoa civilizada e por ele criada como filha, achou não teria coragem de participar nos actos do desajuizado marido. Não obstante todas essas recomendações, se ela mesmo assim continuasse a ocultar a verdade então apanharia, para aprender a ser fiel à Pátria que a educara”.

 

 

O Autor:

Domingos Fernandes de Barros Neto

DOMINGOS FERNANDES DE BARROS NETO nasceu nas terras cafeícolas do Kwanza-Norte (Cazengo), Angola, em 1945.

Cedo mudou-se para o Dondo, à beira do Kwanza, “pequeno mar de eterna saudade”. Ainda criança parte para Luanda onde se extasia pelo mundo do saber e ali conclui o ensino primário e, de seguida, o liceal, nos Seminários Capuchinho e Diocesano. Em Itália cursa filosofia. Já em Angola e após a independência, conclui o  curso  de direito, na Universidade Agostinho Neto.

Foi professor do ensino secundário em Angola (Luanda, Bailundo, Huambo Saurimo e Dundo) e trabalhou na Embaixada de Itália, em Luanda, como tradutor, assistente comercial e adjunto da área de cooperação universitária italo-angolana.

Atualmente dedica-se à advocacia e a atividades de sistematização literária, tanto estrangeira como angolana.

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